terça-feira, 31 de maio de 2011

O imbróglio camoniano

Estou aqui com um imbróglio para resolver, que é obra! Um amigo do Manel, que eu não  tenho ainda o prazer de conhecer, vai casar no próximo 10 de Junho, e  como é dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, parece que os noivos não querem fazer a coisa por menos e querem um casamento com trajes camonianos! Portanto tem que ir tudo vestidinho tal e qual como na época do poeta. Pensei de imediato onde se iriam arranjar todos vestidos de época, mas o noivo pensou em tudo, e falou com uma companhia de teatro da zona que os vais alugar por uma quantia simbólica. 
E adivinhem onde vai ser o casamento? Em Constância, pois está claro, também conhecida por vila poema por ser uma terra que acolheu inúmeros poetas, entre os quais Luís de Camões. Qual é o busilis da questão? É que antes da data do casamento torna-se difícil a ida Constância, aliás nem o Manel faz questão de lá ir. Então pergunto:
- como é que estás a pensar fazer isto? Não se experimenta a vestimenta antes?
- amor, achas que é preciso? Eles diz que há lá tantos vestidos que algum te há-de ficar bem de certeza.
- desculpa?
- sim, não te preocupes!
- Manel, ninguém vai a um casamento sem ter escolhido o que vai vestir antes.
- sim, sim, mas aqui é diferente.
- Pois é mesmo! A responsabilidade é diferente, porque parece que não está nas minhas mãos escolher, e acredita que me está a apetecer tudo, menos passar por uma figura ridícula!
- pronto, eu ligo-lhe e dizemos-lhe as tuas medidas para ficares mais descansada.
- não estás a perceber! Mesmo que haja um vestido com as minhas medidas, se for feio que dói, achas que o visto?!
- relaxa, vai tudo correr bem!

E pronto. O sentido prático dele é tão simples quanto irritante. Garanto que por baixo desta ponte ainda vai correr mesmo muito água! Além do mais, ainda não lhe deram a certeza de  ter folga no dia. Em breve contarei as cenas dos próximos capítulos.

Muito mais prazer que calorias


Um dia destes na praia, apetecia-me algo. E fiquei a pensar no que poderia comer sem me sentir culpada. Lembrei-me que havia um solero de 99 calorias e deliciei-me, sem culpas. Depois veio a dúvida, é tão saboroso que deve ter ali qualquer porcaria artificial que eu não consigo decifrar...
Hoje, por acaso, tive que falar ao telefone com a responsável de marketing da Olá, e não resisti. O defeito profissional tem destas coisas, e não me deixa ficar calada. E perguntei-lhe se não havia ali calorias a menos e artifícios a mais. Riu-se e disse-me "pode ficar descansada, que a marca pensa não só no baixo nível de calorias mas também de glúten e de gordura, por uma questão de saúde, não é só para quem quer manter a linha, pensamos também nos diabéticos, por exemplo. É tudo muito minucioso, e uma marca como a nossa se podia dar ao luxo de enganar quem quer que fosse, não acha?!" Acho.
Portanto 99 são mesmo 99 calorias, não há ali nada de publicidade enganosa descarada. Gosto disto.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

E os Globos de Ouro...

que animaram, e bem, uma noite domingueira. Para começar os vestidos de Bábá, que considero uma mulher elegante, eram inacreditáveis, de tão maus. Eu que até gosto das criações de Filipe Faísca, fiquei incrédula a olhar para o ecrã quando vi o vestido/combinação vermelho a puxar para o vulgar. Não é costume! Buchicho e Dourado também não tiveram melhor. Lá a última criação, de Nuno Baltazar, salvou, minimamente, a honra do convento... esperava muito mais, e eles também já provaram ser capazes disso. 
Valeram as boas escolhas de Aurea, que estava maravilhosa, e de Daniela Ruah, entre algumas outras. Valeu o discurso do Futre, que diz e bem que a fama de que goza atualmente deve ser alvo de case study. Gosto dele e acho-lhe piada simplesmente por se rir de si próprio e ser genuíno. Por isso, o pequeno discurso dele foi tão sui generis quanto assertivo. Vivó Futre.
E depois era impossível não falar no momento em que Luís Borges, com o globo na mão, começa a discursar meio emperrado, mas lá ganha ritmo e toca a desembuchar o que lhe vai na alma e no coração. E estava lá tudo. A pequenez das agências portuguesas que lhe bateram com as as portas para se abrirem as de Nova Iorque, Paris e Milão. O facto de ser preciso vingar lá fora para ter valor cá dentro. E goste-se, ou não, do estilo do rapaz parece que está no top 50 dos melhores modelos do mundo e agradeceu a fatiota feita para a ocasião por Tom Ford. O que não é para todos, como é óbvio, e muita gente naquele coliseu deve ter engolido em seco. E ainda não tinha vindo o melhor... a declaração de amor ao homem com que se casara há uma semana, Eduardo Beauté. Foi corajoso e bom assistir a quem não tem medo de derrubar barreiras. Aquilo sim,  foi um momento digno de nota. Que me surpreendeu, muito, pela positiva.
Por fim, a merecida homenagem a Simone, que se mostrou surpreendida quando na verdade, soube hoje que andou a semana toda a falar na honra que ia ter. Talvez por saber, o discurso não lhe saiu tão sentido como eu esperava. Mas pronto, isso se calhar não interessa muito. A verdade é que tem uma vida e uma voz memoráveis, e mereceu levar o globo para casa. Para o ano há mais.

domingo, 29 de maio de 2011

"Hello, bombshell"

Depois do almoço e do lanche ajantarado, de ontem, com a família do meu rapaz, em que não me coibi de comer um óptimo bacalhau com broa, gelado de cheesecake e uma bela tarde  de maçã, dei por mim, na vinda para Lisboa, a fazer palpites à quantidade de calorias que estas pequenas brincadeiras terão custado...
Assim, para que tudo continue a correr como planeado para o meu bem estar na praia este verão, além de querer todos estes bikinis, sou menina para pôr estas bombshells da Vitoria`s Secret, na porta do meu frigorifico. Como que a dizer "queres ficar como nós?! Então vê lá o que tiras ai de dentro!"
Com estas figuraças, é coisa para resultar!










Que desilusão...

Minhas queridas e meus queridos esqueçam o que disse sobre o filme do Malick, A Árvore da Vida! É angustiante, realmente angustiante e desesperadamente longoooo.  O senhor lembrou-se de pôr no meio do enredo imagens sobre a criação do mundo ou da antevisão do fim dele, nem se percebe bem, e o resultado é uma grande seca! É que Terrence Malick é licenciado em Filosofia e um interessado sobre as origens do mundo e sem dúvida uma pessoa com muitas dúvidas existenciais. Muito bem, até aqui tudo muito bem aliás! Mas então fazia um documentário e não "enganava" a malta (sim, porque muita gente irá mesmo ao engano).
Malick cria um enredo interessante, convida os senhores Brad Pitt e Sean Penn e depois, na maior parte do tempo, toca a encher com paisagens do mundo em que até entram dinossauros, e o pessoal que pape a estucha, porque vai a pensar numa história dramática mas fluida, e às tantas o drama é o tempo que não passa! Sinceramente não gostei, defraudou as minhas expectativas, desesperei e contorci-me inquieta e já sem posição inúmeras vezes. A ajudar à festa não sei se foi do calor ou do desespero, a verdade é que ainda tive direito a uma ligeira quebra de tensão, para ser tudo em bom!
Só sei que há há muito tempo que não me lembrava de ficar tão feliz ao ver aparecerem as letras da ficha técnica no final. E agora percebi porque é que a escolha em Cannes não foi  consensual.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

As coisas simples são leves, e isso agrada-me

Se há coisa que me faz ir ao ginásio, além que querer ter um ventre lisinho e lindinho, é o ambiente que se vive nas aulas que faço. Há para todos os gostos e idades, mas o que é engraçado é que por fazermos as mesmas aulas, cria-se logo uma empatia. Gosto dos sorrisos e dos cumprimentos simpáticos, mesmo quando as caras já nos são familiares e não sabemos os nomes. Conversa com um colega de 40 e muitos:
- Olá, então cá estamos para mais uma aula! Queixamo-nos, queixamo-nos, mas vimos sempre (isto em relação ás aulas de autêntico pilates que não são pera doce)
- É verdade! Por não serem fáceis, existe o desafio e também o desejo de fazer cada vez melhor, digo eu.
- E a verdade é que nos faz sentir muito bem.
- Ui, se faz! Apesar de cansada, gosto sempre.
Quando a aula acaba, acompanha-me uma colega que simpaticamente me fala sempre com um sorriso rasgado, apesar de nunca termos tido sequer uma conversa, mas a verdade é que 2as e 5as feiras partilhamos na mesma sala uma hora das nossas vidas.
- Como é que se chama?
- Fátima.
- Eu sou a Manela.
- Estas aulas de pilates têm me ajudado muito na postura, e gosto do ambiente. Isto não se explica, há professores e aulas de que gostamos, habituamo-nos, e é um gosto ver as caras do costume.
- É verdade, eu também penso assim. A empatia não se explica, de todos os professores só venho às aulas de pilates e localizada, o resto faço treino cardiovascular. E é por isso mesmo, porque são professores que cativam.
- É isso! Por isso não me importo de deixar a minha filha em casa com o meu marido e ter este tempo só para mim. Não é ser egoísta, ter um tempo para cuidar só de nós, não é?!
- Não é mesmo! (não me contive e soltei uma gargalhada)  Estou desconfiada que nos torna melhores pessoas, e tudo!
Falamos mais um pouco sobre o custo que tem o ginásio e a necessidade de o aproveitar o melhor possível. Não sei nada da Manela, nem do outro colega que falou comigo, sei apenas que são caras que me sorriem sempre que os vejo, genuinamente, sem interesse, sem desconfiança, sem nada. Sorriem porque sim, e claro porque são bem educados. E é leve esta  simplicidade. Tão leve quanto agradável.

As palavras certas que fazem maravilhas...

...ou como a simplicidade de um pequeno gesto pode ser tão eficaz quando tudo à volta é apenas indiferença, ou como mudar o mundo de alguém, às vezes, custa muito pouco!

segunda-feira, 23 de maio de 2011

E em Cannes...

a Palma de Ouro da 64ª edição foi para A Àrvore da Vida, do realizador norte-americano Terrence Malick, que curiosamente nunca compareceu em nenhuma edição deste festival francês nem se deixa fotografar há mais de 30 anos!
O filme, protagonizado por Brad Pitt e Sean Penn, relata o quotidiano de uma família americana, numa pequena vila do Texas nos anos 50, liderada por um pai autoritário e obcecado com a educação dos filhos. Um filme que tenho imensa curiosidade em ver e, pelo trailer, aposto que é daqueles que não desilude. 
Por Cannes parece que a decisão não foi propriamente consensual, mas a verdade é que convenceu o júri, presidido por Robert De Niro, que este ano teve a companhia de algumas estrelas de Hollywood como Jude Law e Uma Thurman. Mais uma vez o glamour  da riviera francesa esteve ao serviço da 7ª arte...


A chegada de Uma Thurman à Festa de encerramento, o que por motivos óbvios, não deixou deixado ninguém indiferente...

E a de Jane Fonda também não!
Fotografem à vontade! Queriam ter 74 anos e um corpo Danone assim, não era? Era!
Um membro do júri que fica bem em qualquer Festival de Cinema
Sou giro, tenho talento e até dou pontuações!

A premiada Kirsten Dunst
Tenho um vestido que não tem ponta por onde se lhe pegue...
Mas que lixe! Levei o prémio de melhor atriz para casa! E com o filme do Lars Von Trier!

domingo, 22 de maio de 2011

Que boa estava a praia este fim-de-semana e que belos mergulhos dei. E que bom que é pôr a conversa em dia com as amigas.


sexta-feira, 20 de maio de 2011

As irmãs

Esta foi uma semana atribulada, as festas de Lisboa estão ai e as marchas também. A RTP vai transmitir, e o PNC é o programa "oficial" que vai receber os padrinhos das respetivas, que vai fazer reportagens aos bairros que vai gravar os ensaios, enfim, que vai fazer tudo. Por isso, era ver dia após dia uma felina, a ligar, a tirar notas, e a escrever. Mas o que me stressou mais, talvez sem razão, foi ter que preparar o programa relativo à beatificação da madre Maria Clara do Menino Jesus! Sabem que é? Eu também não sabia, até a pérola me cair nas mãos.
Então vou tentar explicar de forma sucinta. A irmã Maria Clara do Menino Jesus foi uma religiosa do séc. XIX que nasceu numa família aristocrata, que na adolescência ficou orfã, e por isso entrou num internato de freiras, cuja ordem mais tarde foi expulsa (numa altura em que Portugal estava a expulsar todas as ordens religiosas), e foi viver para casa dos marqueses de Valadas, mas sempre com vontade de ajudar os mais desfavorecidos e necessitados, talvez por já conhecer bem o que significava o sofrimento. 
Optou pela vida religiosa e fundou a congregação das irmãs franciscanas hospitaleiras.  Foi uma mulher muito à frente do seu tempo. Destemida e sempre a pensar nos que mais precisavam fundou mais de 140 obras de acção social,  não se poupou a esforços na prática de obras de misericórdia, e foi a primeira mulher a enviar missionárias para Angola, Índia, Guiné, Cabo Verde e outros pontos do mundo. Como intercessora fez vários milagres! E amanhã terá lugar a sua beatificação no Estádio do Restelo.


Isto tudo para dizer que apesar de católica, baptizada, crismada, etc, ao contrário de mamãe felina, sou pouco praticante. Acredito mais nas boas acções do que nas idas à igreja. Mas isso é outra história que dava pano para mangas. 
Mas a verdade é que estava com algum receio em fazer este programa porque tive que convidar duas irmãs, uma jornalista da Renascença que pertence à congregação e a miraculada, ou seja uma senhora que hoje tem 83 anos, que por pedir e ter fé na irmã Maria Clara do Menino Jesus ficou curada de um pioderma gangrenoso. Os milagres para o serem têm que ser comprovados a nível médico, com vários vereditos, com vários testemunhas testemunhas, etc, etc, etc, e este foi esmuiçado e aprovado pelo Vaticano.
 Aprendi muitas curiosisades e alguns termos técnicos religiosos que desconhecia. E claro que estava relativamente nervosa por conhecer alguém que "comprovadamente" tinha sido alvo de uma milagre, mas o que mais me surpreendeu acabou por não ser isso, mas simi comprovar que as irmãs, que pensei que tinham à partida uma postura séria e pouco conversadora, era difícil serem mais castiças, apesar da idade já avançadota. 
Eram MARAVILHOSAS, encantadoras, sempre sorridentes e muito atualizadas. Andam sempre com telemóvel, têm página na internet, e têm uma juventude de espirito incrível, especialmente a Maria Amélia. Açoreana de 64 anos que se dedica aos jovens e compõem música. Ao programa foi também um grupo de rap, com canções relativas a Deus, a imagem era qualquer coisa, as irmãs sentadas para a entrevista e três africanos a rappar que nem uns doidos com músicas sobre o Pai. Amélia gostou tanto que  foi pedir-lhes um cd, e claro que exigiu que fosse autografado...
No final do programa, que correu muito bem, uma a uma abraçou-me a agradeceu-me a hospitalidade. "Que Deus a abençoe por tudo o que fez por nós hoje". Muito obrigada disse eu, e retribui o elogio. 
Elas são genuinamente abençoadas pois é fácil perceber o quanto são realizadas e felizes no caminho que escolheram. Todas elas se desfazem em sorrisos e carinho, algo em escassez nos dias que correm.
Se há coisa que gosto na minha profissão é o facto de esta me proporcionar conhecer histórias e pessoas maravilhosas. Hoje foi um desses muitos dias.